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A Onda Viva visitou o Festival de Vilar de Mouros

Há festivais. E depois há Vilar de Mouros. A edição de 2026 do festival mais antigo da Península Ibérica terminou da mesma forma que começou: com milhares de pessoas a sorrir, abraços entre desconhecidos, guitarras no ar e a certeza de que Vilar de Mouros continua a ser muito mais do que um cartaz de luxo. É um estado de espírito. Um lugar onde o rock, o punk, o indie, o folk e o metal convivem na mais perfeita harmonia, tal como as pessoas que ali chegam de todas as idades e de todos os cantos do país.

Cinco dias e um alinhamento dos mais fortes dos últimos anos.

Os Dropkick Murphys transformaram Vilar de Mouros numa autêntica festa celta-punk. Um regresso muito aguardado a Portugal, com um concerto explosivo, repleto de clássicos cantados em uníssono por milhares de vozes. A energia da banda norte-americana fez tremer o recinto e mostrou porque continua a ser uma referência mundial do género.

Kasabian entregaram um espetáculo poderoso, cheio de intensidade e com uma produção irrepreensível. O rock britânico voltou a encontrar casa em Vilar de Mouros e respondeu com um dos concertos mais elogiados da edição.

Yungblud trouxe a irreverência da nova geração, conquistando um público jovem sem nunca perder ligação com quem já vive festivais há décadas. Foi um concerto emocional, intenso e cheio de personalidade.

Já Ben Harper & The Innocent Criminals ofereceram um dos momentos mais mágicos do festival. Um concerto elegante, emotivo e profundamente musical, daqueles que ficam na memória muito depois de as luzes do palco se apagarem.

E quando muitos pensavam que já tinham visto tudo, Body Count, liderados por Ice-T, encerraram o festival com um espetáculo brutal, pesado e inesquecível, mostrando que Vilar de Mouros continua a ter coragem para apostar em nomes históricos e diferenciadores.

Um recinto que é um exemplo para PortugalHá algo em Vilar de Mouros que muitos grandes festivais ainda procuram: funcionalidade.

Apesar dos milhares de pessoas presentes ao longo dos cinco dias, tudo parecia simples. Entradas rápidas, circulação fluída, zonas de restauração organizadas, espaços amplos, acessos bem pensados e um ambiente onde nunca se sentiu o caos.

É precisamente essa simplicidade que faz a diferença. Não existem luxos desnecessários. Existe organização, respeito e uma enorme preocupação em fazer com que o público aproveite aquilo que realmente importa: a música. O verdadeiro espírito de Vilar de Mouros continua vivo

Talvez o maior concerto desta edição nem tenha acontecido em palco, aconteceu no recinto.

Pais com filhos pequenos aos ombros. Avós a cantar músicas que marcaram gerações. Jovens que viveram o seu primeiro festival ao lado de quem esteve em Vilar de Mouros há vinte ou trinta anos. Pessoas de camisolas dos Dropkick Murphys, Kasabian, Xutos, Ramones, Metallica ou Nirvana a conversar como se se conhecessem desde sempre.

É isso que torna Vilar de Mouros especial

É um festival intergeracional onde ninguém pergunta a idade de quem está ao lado. Pergunta apenas: “Gostaste do concerto?” E essa resposta, este ano, parecia ser sempre a mesma: um enorme sorriso.

Num verão em que tantos festivais são notícia por episódios de violência ou desorganização, Vilar de Mouros destacou-se precisamente pelo contrário.

O ambiente vivido durante toda a edição foi de tranquilidade, respeito e convivência. Milhares de pessoas partilharam o mesmo espaço sem conflitos, mostrando que a cultura também pode ser sinónimo de civismo e segurança.

Foi um festival onde se viveu música, amizade e liberdade, num ambiente familiar que fez sentir todos em casa.

Há festivais onde vamos ver bandas. A Vilar de Mouros vai-se para viver Vilar de Mouros.

 

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